
Muito calor. Desentrosamento de um time que nunca jogou junto. Qualidade do adversário. Essas e outras explicações são lógicas e ajudam a entender por que o primeiro ato da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 foi um passo em falso.
Aos otimistas que esperavam uma vitória baseada no passado, o presente mostrou que Marrocos é, sim, um adversário duro. O Brasil sofreu muito, saiu atrás e buscou o empate em uma jogada individual de Vinicius Jr., único capaz de arriscar algo diferente, embora nem sempre tão certo.
O placar de 1 a 1 no MetLife Stadium, em Nova Jersey, deixa a disputa pela liderança do Grupo C totalmente aberta. Se Brasil e Marrocos são os dois principais times, tudo indica que a rodada termine com a Escócia em primeiro lugar, o que acontecerá com uma simples vitória sobre o Haiti, neste sábado (13), em Boston.
As duas seleções agora entrarão em uma disputa por saldo nos jogos que restam. Em uma Copa em que até os melhores terceiros se classificam, uma vaga no mata-mata não parece ameaçada, mas talvez seja preciso mais do que o desempenhado na estreia para almejar o primeiro lugar.
O Brasil foi espaçado na defesa, vulnerável no meio-campo e pouco produtivo no ataque. A melhor virtude desde a chegada de Carlo Ancelotti, a pressão capaz de criar contra-ataques, não foi vista em momento algum. Os lances de perigo saíram de individualidades, pouco para uma Seleção como essa.
Diante do cenário, é possível esperar mudanças para o próximo compromisso. O Brasil volta a campo contra Haiti, dia 19, na Filadélfia, em jogo que precisa ganhar – e bem, para fazer saldo.
Começo ruim, Vini evita o pior
Os primeiros momentos do Brasil na Copa do Mundo de 2026 foram ruins. Bem ruins, para dizer a verdade. A ponto de cometer seguidos erros de saída de bola e não conseguir sequer progredir ao campo de ataque de uma forma organizada. Marrocos, claro, se aproveitou. Criou chances, se assentou como quis e, aproveitando a terra da NFL, ganhou jardas a cada minuto para empurrar o time de Ancelotti para trás.
O Brasil demorou um bom tempo para se organizar minimamente. Quando o fez, Vinicius Jr. arrancou pela esquerda e cruzou na cabeça de Igor Thiago, que, em condições de finalizar, furou. Um erro que seria fatal pouco tempo depois, quando a zaga brasileira cedeu imenso espaço e foi castigada pela visão de jogo de Brahim Díaz.
O meia do Real Madrid enxergou um latifúndio entre o meio-campo e a defesa. Lançou Ismael Saibari entre Marquinhos e Gabriel Magalhães, espaço que o marroquino aproveitou, encobriu um indeciso Alisson e abriu vantagem no MetLife Stadium. O placar era merecido - ou injusto, porquenos africanos mereciam até mais.
Os brasileiros sentiram o golpe, mas a pausa para hidratação ajudou, ao permitir a Ancelotti mudar o desenho tático: saiu o 4-2-4, entrou o 4-2-3-1, com Raphinha na direita e Paquetá centralizado. A troca deu mais estabilidade, mas o empate veio em um brilho individual. Vinicius Jr. consertou passe de Bruno Guimarães pelo lado esquerdo do ataque e bateu forte e cruzado para igualar. Paquetá, de voleio, por pouco não virou.
Seleção melhora, mas não o suficiente
Ancelotti voltou com mudanças. Ibañez e Casemiro, já amarelados, deram lugar a Danilo e Fabinho. Trouxeram mais energia ao time, mas acrescentaram pouco em termos de melhora. Então, o Brasil arriscou mais duas mexidas, com as entradas de Luiz Henrique e Matheus Cunha nas vagas de Paquetá e Igor Thiago.
Nada tão significativo, mas a Seleção passou a ocupar mais o campo ofensivo. Luiz Henrique deu amplitude na direita, Matheus Cunha movimentou o ataque. Raphinha, porém, continuou sumido, ainda que a bola para decidir a partida, a 15 minutos do fim, tenha caído no seu pé.
Cunha, aberto pela esquerda para dar liberdade a Vini, puxou a marcação até o meio-campo e lançou o camisa 7 em velocidade. Ele cruzou para Raphinha, que ajeitou o corpo para bater, mas pegou fraco na bola e facilitou a defesa de Bono. Do outro lado, Alisson ainda evitou a derrota brasileira ao fazer duas defesas, em chute de longe e depois no rebote.
Classificação do Grupo C:
Brasil: 1º lugar, com 1 ponto
Marrocos: 2º lugar, com 1 ponto
Próximos jogos do Brasil:
Haiti - 19/06, 21h30 (de Brasília) - Copa do Mundo
Escócia - 24/06, 19h (de Brasília) - Copa do Mundo
Próximos jogos de Marrocos:
Escócia - 19/06, 19h - Copa do Mundo
Haiti - 24/06, 19h - Copa do Mundo
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