
No confronto entre uma fortíssima seleção pronta para a Copa do Mundo e outra desfalcada e ainda em busca de uma identidade por conta de um ciclo tumultuado, deu a lógica em Foxborough. Apesar do clima absolutamente favorável no Gillette Stadium, o Brasil fez frente à França, mas saiu derrotado por 2 a 1 nesta quinta-feira (26), pelo primeiro amistoso da atual Data Fifa.
Quem decidiu, claro, foi o grande nome em campo. Em meio a polêmicas sobre a lesão no joelho sofrida no Real Madrid, Kylian Mbappé resolveu na única finalização certa de todo o primeiro tempo. Foi o primeiro gol dele contra a seleção brasileira, logo na estreia, dando sequência a uma história de algozes que vai de Michel Platini até Zinedine Zidane, carrascos nos Mundiais de 1986, 1998 e 2006.
Na etapa final, a França teve Upamecano expulso, em falta no lateral brasileiro Wesley a poucos passos da grande área, mas matou o jogo com Ekitiké, em nova cavada que Ederson nada pode fazer. Os brasileiros ensaiaram uma reviravolta com Bremer seguida de minutos de pressão, mas não a ponto de buscar o empate.
Do lado brasileiro, Ancelotti manteve o esquema recheado de atacantes, com objetivo de aproveitar os espaços que a defesa francesa daria. Vinicius Jr., escolhido para usar a mítica camisa 10 na estreia do uniforme azul, teve atuação discreta, assim como Raphinha. Com as duas estrelas em baixa e mais o excesso de desfalques por lesões, o Brasil não conseguiu dar a volta por cima.
A preparação para a Copa segue dos dois lados. Ainda em solo norte-americano, a França fecha a Data Fifa de março contra a Colômbia, no próximo domingo (29), em Washington. O Brasil tem dois dias extras de treino até encarar a Croácia, na terça (31), em Orlando. Serão os últimos testes até Carlo Ancelotti e Didier Deschamps fecharem a lista dos que vão ao Mundial.
Brasil leva perigo, Mbappé aparece
No duelo entre dois times em estágios bem diferentes, cada um usou suas próprias forças para se sobressair sobre o outro. A França, cujo técnico está há quase 14 anos no comando, optou pela qualidade técnica, com um jogo de passes, troca de posições e entrosamento. O Brasil, sem ao menos sete prováveis titulares na Copa, optou pelo contra-ataque.
E assim quem mais assustou foi a própria seleção. Martinelli, duas vezes, e Raphinha levaram imenso perigo em descidas rápidas ao ataque nas costas dos zagueiros franceses. O astro do Barcelona era quem mais destoava do quarteto ofensivo, com erros até displicentes e que travaram o Brasil. Na defesa, Casemiro liderava um setor de pouca experiência.
Mas bastou o volante do Manchester United errar pela primeira vez para a França não perdoar. Dembélé recuperou a bola no meio-campo e, ao ver a defesa brasileira escancarada, só lançou em velocidade para Mbappé, que ganhou na corrida de Bremer e Léo Pereira, cavou por cima de Ederson e colocou os vice-campeões do mundo em vantagem.
O lance mexeu com o ambiente. Mais nervosos, os brasileiros demoraram para entrar novamente no jogo, enquanto a França usou a rapidez e qualidade técnica do seu time para ditar o ritmo como quis. Mbappé, após passe em profundidade, ficou perto de ampliar. A seleção só voltou a levar perigo em chute de Casemiro, novamente de longe, mas sem exigir defesa alguma de Maignan.
Luiz Henrique entra bem, mas França não se intimida
Ancelotti voltou do intervalo com uma única mudança, mas suficiente para mexer com o jogo. Raphinha, com dores na coxa direita, deu lugar a Luiz Henrique, que só precisou de cinco minutos para criar um inferno no setor de Theo Hernández. Em uma jogada individual, o ex-Botafogo obrigou Maignan a evitar o empate brasileiro.
Na jogada seguinte, o ponta puxou a marcação e abriu caminho para Wesley, que invadiria a área até ser derrubado por Upamecano. A arbitragem inicialmente deu amarelo ao defensor francês, mas reviu o lance no VAR, aplicou o vermelho e deixou o Brasil com um a mais. Deschamps optou por fechar o time, ao tirar Dembélé e colocar o zagueiro Lacroix. Ancelotti respondeu com João Pedro na vaga de Martinelli.
Só que nem a desvantagem numérica foi suficiente para parar o ataque francês. Em uma descida rápida, Olise carregou da intermediária até quase a meia-lua e serviu Ekitiké, que "copiou" Mbappé, esperou Ederson sair e só tocou por cobertura para ampliar o placar no Gillette Stadium.
O lance mexeu com a reta final da partida. Deschamps tirou os dois autores dos gols (Mbappé e Ekitiké deram lugar a Thuram e Kanté), claramente para administrar os minutos finais. No Brasil, Ancelotti apostou em Ibañez e Danilo para dar mais liberdade aos atacantes. O sinal de reação veio com Bremer, que completou chute cruzado de Luiz Henrique e diminuiu o placar.
A partir daí, a seleção foi muito mais na base da energia e euforia das arquibancadas (que, num coro discreto, até gritaram o nome de Neymar). Ancelotti apostou em Gabriel Sara e Igor Thiago, que pouco tempo tiveram para mostrar serviço.
Próximos jogos do Brasil:
Croácia (N) - 31/03, 21h (de Brasília) - Amistoso
Panamá (C) - 31/05, horário indefinido - Amistoso
Egito (N) - 06/06, 19h (de Brasília) - Amistoso
Próximos jogos da França:
Colômbia (N) - 29/03, 16h (de Brasília) - Amistoso
Senegal (N) - 16/06, 16h (de Brasília) - Copa do Mundo
A definir (N) - 22/06, 18h (de Brasília) - Copa do Mundo
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