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Folha pede renúncia de Moraes do cargo de ministro do Supremo

O texto foi publicado na esteira de uma série de revelações sobre a relação entre Moraes, sua família e Vorcaro

02/09/2026 às 15h22
Por: Redação Fonte: Paulo Moura/Pleno News
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Alexandre de Moraes Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo
Alexandre de Moraes Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

Em editorial publicado nesta terça-feira (1°), o jornal Folha de S.Paulo afirmou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deveria renunciar ao cargo diante das novas revelações envolvendo sua relação com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Intitulado “A Moraes cabe a renúncia”, o editorial diz em seu subtítulo que as informações reunidas pela Polícia Federal (PF) “acabam com as dúvidas sobre a incompatibilidade do ministro com a Corte”. Para a Folha, caso Moraes não deixe o cargo por iniciativa própria, caberia ao Senado analisar os pedidos de impeachment apresentados contra o ministro.

O texto foi publicado na esteira de uma série de revelações sobre a relação entre Moraes, sua família e Vorcaro. Entre os elementos citados está o contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Segundo dados extraídos pela PF do celular de Vorcaro, Moraes teria acessado e editado uma versão do contrato em janeiro de 2024. O escritório de Viviane confirmou que o ministro teve acesso ao documento, afirmando que o setor de compliance pediu informações a ele sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação.

As investigações também revelaram mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes nos meses que antecederam a prisão do banqueiro, em novembro de 2025. Em uma delas, Vorcaro afirma ter “uma dívida de vida” com o ministro e sua família.

Em outras, pede ajuda para tentar evitar ou retardar medidas que poderiam atingir o Banco Master e menciona possíveis contatos com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A PF também identificou mensagens que indicam encontros entre Vorcaro e Moraes. Em dezembro de 2023, o banqueiro teria ido ao endereço do ministro em São Paulo. Posteriormente, novas mensagens apontaram para outro encontro e para uma viagem a Campos do Jordão.

Para a Folha, o conjunto das revelações agravou uma situação que já era considerada preocupante. O jornal afirma que o contrato milionário e as comunicações entre Vorcaro e Moraes já levantavam dúvidas sobre a relação entre o magistrado e o banqueiro, mas que os novos elementos tornaram, na avaliação do editorial, insustentável a permanência do ministro no STF.

– A torrente de situações abomináveis que acaba de desaguar sobre a opinião pública sepulta qualquer incerteza restante sobre a incompatibilidade de Moraes com o exercício da magistratura no STF. O fraudador, enquanto enriquecia a família Moraes com dinheiro roubado, tinha o ministro como um conselheiro e um informante – diz.

O editorial também faz críticas à atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR) diante das informações levantadas pela PF. A Folha afirma que “não há muito o que esperar” do órgão e cita o procurador-geral Paulo Gonet, que questionou a validade do relatório policial.

Segundo o jornal, Gonet também aparece relacionado à rede de contatos de Vorcaro. O procurador-geral e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, participaram de uma degustação de uísque promovida pelo banqueiro em Londres, em 2024.

Diante desse cenário, a Folha afirma que a questão deixou de ser apenas a conduta individual de Moraes e passou a envolver a própria credibilidade do Supremo.

– Entretanto agora cabe escolher entre Alexandre de Moraes e o Supremo Tribunal Federal, entre um indivíduo de má conduta e a República. Enquanto o ministro permanecer na sua cadeira, a desonra e o descrédito se acumularão sobre o tribunal – declara o jornal.

Na avaliação do veículo, a permanência do ministro no cargo tende a ampliar o desgaste da Corte. A Folha considera que a renúncia seria a alternativa “mais digna e rápida” e afirma que a saída voluntária de Moraes evitaria um processo prolongado de desgaste institucional. Caso isso não ocorra, o jornal defende que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), dê andamento aos pedidos já feitos.

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