Segunda, 30 de Março de 2026
20°C 30°C
Itu, SP

Policial compartilha experiência no atendimento na Cabine Lilás e inspira vítimas de violência

O acompanhamento é parte do protocolo de atendimento do serviço

30/03/2026 às 18h10
Por: Redação Fonte: Isabelle Amaral
Compartilhe:
Divulgação/PCSP
Divulgação/PCSP

“De madrugada eu estava tão triste que a única coisa que passava na minha cabeça era tirar minha vida. E você me ligou. Uma luz. Você me ouviu.” Esse é o relato de uma mulher vítima de violência doméstica que ligou para a Cabine Lilás e foi acompanhada pela cabo Priscila Salgado, policial que atua no serviço especializado na região de São José dos Campos, no interior de São Paulo.

Desde a primeira ligação ao 190, o encaminhamento para a equipe da Cabine Lilás e o acompanhamento até a quebra do ciclo de violência, a vítima foi assistida pela policial. Depois, fez questão de enviar uma mensagem de agradecimento pelo apoio recebido.

“Você me aconselhou, me direcionou e hoje estou viva. Estudo criminologia, voltei com força para a capoeira e meus amigos e minha família estão comigo”, escreveu a mulher para a policial.

O acompanhamento é parte do protocolo de atendimento do serviço. Após o primeiro contato, a equipe registra o telefone da vítima para fornecer orientações sobre os serviços disponíveis para mulheres no estado, além de manter contato para acompanhamento do caso.

Neste episódio, porém, a mensagem recebida pela policial foi diferente das habituais: em vez de um novo pedido de ajuda ou orientação, chegou em forma de agradecimento por ter conseguido recomeçar a vida após sair do ciclo de violência.

A cabo Priscila contou que esse foi um dos atendimentos mais marcantes que já realizou justamente por saber como a vítima conseguiu seguir em frente após o episódio de sofrimento.

“O que fazemos depois que a vítima liga em desespero pedindo ajuda é despachar uma viatura, quando necessário, e orientá-la sobre os serviços oferecidos pelo governo. Também fazemos acompanhamento pelo WhatsApp. Mas nesse caso foi diferente: eu soube, de forma concreta, que a Cabine Lilás fez a diferença na vida de uma mulher”, afirmou.

A história também teve impacto pessoal para a policial. No passado, Priscila também foi vítima de violência doméstica e conseguiu recomeçar a vida.

“A palavra perfeita para definir esse serviço é esperança. Todos os policiais são orientados sobre como lidar com esse tipo de ocorrência, mas na Cabine Lilás tivemos uma especialização antes de atender as vítimas”, contou.

Inspirada pelo trabalho realizado no atendimento às mulheres, a policial revelou que pretende estudar psicologia para ampliar ainda mais o apoio às vítimas.

Curso ajudou policial a identificar violência

Priscila contou ainda que o “estopim” para o término de um relacionamento anterior foi uma agressão física. No entanto, segundo ela, a violência psicológica já ocorria havia anos — algo que só conseguiu identificar durante o curso de formação para atuar na Cabine Lilás.

“A gente acha que a violência é só física, mas ela também acontece de forma psicológica e, às vezes, é até pior”, disse.

“Se um homem dá um tapa ou um soco, ou ameaça com uma faca, é claramente uma agressão. Mas menosprezar, impedir a mulher de ver a família ou os amigos, controlar o dinheiro dela, tudo isso também é violência”, completou.

Cabine Lilás já realizou mais de 25 mil atendimentos

Entre março de 2024 e fevereiro deste ano, a Cabine Lilás realizou mais de 25 mil atendimentos em todo o estado de São Paulo. Os registros incluem chamados feitos ao 190, orientações sobre medidas protetivas e intervenções policiais. No período, 123 homens foram presos em flagrante por descumprirem ordens judiciais e se aproximarem das vítimas.

Atualmente, 104 policiais femininas são treinadas para atuar na iniciativa em todo o estado. As Cabines Lilás funcionam dentro dos Centros de Operações da Polícia Militar (Copom).

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários