
Leila Pereira cobrou apoio dos conselheiros que formam sua base de governo do Palmeiras, em evento realizado na noite de segunda-feira. A presidente reclamou pelo fato de ela e seu marido, José Roberto Lamacchia, não serem defendidos quando têm a dedicação ao clube questionada.
– Vejo alguns boatos a respeito de mim, do meu marido, dando a entender que nossa dedicação não é integral à Sociedade Esportiva Palmeiras. Fico muito triste quando vejo meia dúzia da oposição falar este tipo de coisa. Sinto que as pessoas que me apoiam sabem nosso caráter, dedicação e não falam absolutamente nada – disse, em discurso ao qual o ge teve acesso.
– Quando vierem questionar o caráter da presidente e do marido da presidente, que sempre se dedicou à Sociedade Esportiva Palmeiras, não posso permitir que fiquem quietos e não defendam. Será que não valeu nada? O que é isso? – reforçou.
O discurso acontece em meio ao processo de compra da SAF do Vasco por Marcos Lamacchia, enteado de Leila e filho de José Roberto Lamacchia.
O Ocupa Palestra, grupo de oposição no Palmeiras, manifestou-se no fim de setembro, cobrando a saída de Lamacchia do conselho do clube, diante da possibilidade dele participar da próxima gestão do clube carioca.
– Quando começar a conversa de meia dúzia de imbecis de que nossa dedicação não é integral ao Palmeiras, é mentira. Até dezembro de 2027, minha dedicação e do meu marido é integral ao Palmeiras – reforçou Leila.
– Gostaria que toda vez que questionassem o caráter da presidente e a dedicação da presidente ou do marido da presidente, vocês refletissem nos últimos dez anos tudo que eu e meu marido fizemos pelo Palmeiras. Não tem nada parecido na história da Sociedade Esportiva Palmeiras.
– Eu e meu marido colocamos mais de R$ 1 bilhão. Nossas marcas foram expostas, mas poderiam ter sido em outros lugares. Como fiz em TVs, rádios, jornais. Mas queria estar ao lado de vocês para nos transformarmos no que nos transformarmos hoje – acrescentou.
Em junho, José Roberto Lamacchia cogitou ao ge que Leila assumisse um cargo no Vasco após deixar a presidência do Palmeiras. A dirigente, porém, indicou que sairá do futebol ao fim do seu mandato, em dezembro do ano que vem.
– Quando sair, em dezembro de 2027, vou voltar de onde vim, me dedicar às minhas empresas e vou continuar colaborando aqui com nosso futuro presidente – completou.
Sem possibilidade de Leila concorrer à reeleição, conselheiros da situação no Palmeiras chegaram a discutir uma mudança de estatuto para que ela pudesse tentar um terceiro mandato. A pauta não foi avançou, e Leila deve apoiar a candidatura do vice-presidente Paulo Buosi.
Após a veiculação do áudio, o grupo Ocupa Palestra publicou uma nota junto do grupo Arquibancada, criticando a postura da dirigente, por "recorrer a desqualificações pessoais e dirigir ofensas verbais aos conselheiros e conselheiras que exercem com rigor o seu dever estatutário".
Veja a nota completa abaixo:
"O futuro do Palmeiras exige responsabilidade, não ofensas.
Recentemente, tornamos pública nossa legítima preocupação com os evidentes riscos de conflito de interesses trazidos pela aquisição da SAF de outro clube brasileiro por empresas do grupo econômico familiar da presidente Leila Pereira. Como se sabe, seu enteado está à frente do processo, tendo o marido da presidente e suas empresas como avalistas do negócio.
A reação da mandatária em evento recente com conselheiros, infelizmente, seguiu o mesmo padrão já conhecido da opinião pública: em vez de apresentar respostas técnicas e salvaguardas institucionais a um problema real, a Sra. Presidente preferiu recorrer a desqualificações pessoais e dirigir ofensas verbais aos conselheiros e conselheiras que exercem com rigor o seu dever estatutário.
Apontar a existência do conflito de interesses não é um ataque pessoal, mas um alerta para uma situação objetiva de risco institucional.
O problema é tão real, concreto e reconhecido pelo mercado do futebol que a ANRESF (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol, da CBF) já se manifestou, neste mesmo caso, estabelecendo condicionantes para situações de controle ou influência cruzada entre agremiações concorrentes. Não imaginamos que a Presidente desqualifique os auditores do caso com ofensas, ou que os considere “imbecis”. O futebol brasileiro, para ser cada vez mais forte e saudável, precisa de fiscalização, não de acomodações políticas.
É preciso também deixar claro: nós, torcedores, conselheiros e conselheiras do Palmeiras, não estamos discutindo a legitimidade do Vasco da Gama em buscar parceiros, muito menos de empresas em firmar acordos comerciais. Estamos, única e exclusivamente, na defesa inegociável dos interesses do nosso clube, cobrando das instâncias de fiscalização - em especial do Conselho Deliberativo e do COF - a adoção de barreiras ao vazamento de informações sensíveis, proteção do know-how de negócios da SEP e estabelecimento de políticas rígidas para manutenção de profissionais do clube.
Em seu pronunciamento, a Sra. Presidente adotou uma conveniente distorção de conceitos: dedicação não substitui regras de compliance, e sua alegada boa vontade não elimina o dever estatutário de blindagem patrimonial e estratégica.
Além disso, ao cobrar que os conselheiros aliados se manifestem contra a oposição, há um pedido claro para que abram mão de sua função mais importante, que é a fiscalização dos destinos do clube.
Coincidentemente, em nossa próxima reunião do Conselho Deliberativo, dia 19/10, ao invés de debatermos questões essenciais como essa, estará em votação a suspensão de um conselheiro que, reclama a presidente, a ofendeu em reunião. Sugerimos, portanto, que o Presidente do CD, Alcyr Ramos, trate com o mesmo rigor as violações estatutárias e ofensas proferidas contra conselheiros e conselheiras , abrindo a necessária sindicância para apuração dos fatos.
Nenhuma ofensa ou ação nos intimidará. O Palmeiras pertence a sua torcida e seu futuro é ainda mais importante do que seu presente.
São Paulo, 6 de outubro de 2026.
GRUPO ARQUIBANCADA E OCUPA PALESTRA
Em defesa da Sociedade Esportiva Palmeiras".
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